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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

OEA

A OEA, fundada em 30 de abril de 1948, três anos após a criação da ONU perdeu, por sua Corte Interamericana de Direitos Humanos, ótima oportunidade de ficar calada, não exteriorizar o seu viés ideológico, tão a gosto dos autoritários de esquerda, e de não ser chamada de Organização de Estafetas Associados.

E perdeu a oportunidade quando condenou o Estado brasileiro, em sentença divulgada no dia 14 do corrente, como responsável pelo desaparecimento de 62 guerrilheiros no conflito do Araguaia – conhecido por Guerrilha do Araguaia - determinando, ainda, que o Estado pague a cada família, a título de indenização por despesas na procura dos desaparecidos, a quantia de US$ 3 mil, mais US$ 45 mil e US$ 15 mil, respectivamente, por conta de dano imaterial, a cada familiar direto e não direto.

Piada de extremo mau gosto, e interferência indevida no movimento político-histórico brasileiro, de efeitos já reafirmados e consagrados pelo Supremo.

Para quem fez questão de esquecer, a Guerrilha do Araguaia, ocorrida no início da década de 70, não passou de uma criação do Partido Comunista do Brasil - PC do B  que, identificado com as experiências vitoriosas das Revoluções Chinesa (Mao Tsé-Tung) e Cubana (Fidel Castro), e mantendo, desde meados de 1960, militantes guerrilheiros na área do Araguaia, buscava, de dentro para fora, ou seja, a partir do campo, da doutrinação rural, campesina, enfrentar o regime militar, derrubá-lo, tomar o Estado e fazer a revolução comunista tupiniquim.

Da mesma forma, recordando "aos esquecidos", o regime militar no País teve início em 31 de março de 1964 (cinco anos após o alinhamento de Cuba com a União Soviética de Khruschev, líder do PC soviético de 1953 a 1964, e quem instalou uma base de mísseis em Cuba, Presidente do Brasil, João Goulart), com o intuito de se evitar que os encantos autoritários do comunismo, que, igualmente, iluminavam os neurônios de alguns burgueses oportunistas, atingissem o seu objetivo, aquele idealizado pelo PC do B. À ocasião, também lembrando "aos esquecidos de plantão",  mais do que sabido que os regimes cubano e chinês financiavam e treinavam guerrilheiros brasileiros, e guerrilha urbana e rural corriam soltas.

Com a renúncia de Jânio, em 25 de agosto de 1961 (efêmero governo), assume a presidência o Deputado Ranieri Mazzilli (presidente da Câmara dos Deputados).

Divididos entre a aceitação ou não da posse de João Goulart como Presidente, que se encontrava em viagem diplomática na China comunista, os militares, conciliando os interesses nacionais, acordaram, com aprovação do Congresso, na implantação do regime parlamentarista, sendo Presidente João Goulart (7 de setembro de 1961) e Primeiro-Ministro Tancredo Neves, que já fora Ministro de Getúlio, no segundo governo deste. O que não durou muito: em janeiro de 1963, por plebiscito, retorna-se ao regime presidencialista, aumentando-se o poder de João Goulart.

No período, direita e esquerda se confrontam, as ligas camponesas são reorganizadas (criação do PC do B, em 1930), Miguel Arraes apóia e incentiva os movimentos estudantis pró comunismo, João Goulart apóia e incentiva o sindicalismo dos sargentos, provocando quebra na hierarquia e na disciplina das forças armadas, realizado Congresso de solidariedade a Cuba, em terras de Araribóia (cacique da tribo dos temiminós, que derrotou os tamoios, que apoiavam os franceses no controle da Guanabara), Prestes defende a transformação  do País  no primeiro país comunista da América do Sul , à imagem de Cuba, Brizola,  de quem  Goulart era cunhado, organiza o Grupo dos Onze que tinha por objetivo, segundo o seu organizador, tomar o poder pela luta armada (anseio antigo do PC do B) -  “vanguarda avançada do Movimento Revolucionário, a exemplo da Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética” (palavras do caudilho) -, entre outros atos de puro banditismo golpista de mudança de regime.

Em 64, 13 de março, João Goulart assina no Rio decretos de encampação das refinarias de petróleo privadas e autoriza a expropriação de terras, precipitando a sua deposição da presidência. A sociedade, entre os regimes de direita e de esquerda, optou pelo primeiro.

Em linhas gerais, os fatos que levaram ao início do regime militar.

Não satisfeita com mais uma derrota, a esquerda insistiu no seu desiderato, chegando-se, para terminar com essas mal traçadas históricas, à guerrilha do araguaia, precedida de atos inqualificáveis, onde os militantes comunistas foram defenestrados pelo regime vigente, os quais, agora, são objeto de pura demagogia desrespeitosa, por parte da Corte mencionada no início destas linhas, que mais parece derivada do ressurgimento retrógado, na América Latina, da esquerda esquecida no tempo.

A sociedade brasileira optou pelo regime que entendeu melhor para o País; fatos e feitos da época, já foram colocados, de comum acordo, no seu devido lugar na história.

Poderíamos ter como de certa seriedade a posição daquela Corte, se o tema fosse tratado bilateralmente (sociedade x guerrilha e guerrilha x sociedade), degustados os interesses de cada um, com o mesmo e profundo afinco que o da unilateralidade, e afastados os veios demagógicos, inclusive o da recomendação/determinação de criação e implantação de um curso de direitos humanos nas forças armadas, em todos os seus níveis hierárquicos, reconhecimento internacional público dos fatos e investigação penal para punição dos militares; lamentável desrespeito ao País e ao seu passado, e ao posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), até porque não se debruçou nas mortes de brasileiros, provocadas pelos “santos” guerriheiros.

Na hipótese de a postura continuar como tal, não haverá forma outra de chamar aquela organização, que respeitamos, senão como Organização dos Estafetas Associados.

Para alguns, como dizem uns, o passado incomoda; para outros, beneficia desconhecidos interesses; há que nem nele, na sua ingenuidade, acredite; há quem nele, porém, se valha no puro oportunismo. 

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