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sábado, 15 de janeiro de 2011

Tragédia Política

Enquanto estamos consternados com a tragédia que se abateu sob a região serrana do Rio, já com 558 mortos (agora anunciado pela “cobertura” de plantão), constata-se, mais uma vez, que somos ínfimos em relação aos fenômenos da natureza, mas, que, também, já somos dotados de razoável inteligência para nos prepararmos, antecipadamente, contra os efeitos devastadores deles decorrentes, reduzindo, assim, a mortandade e o sofrimento.

Estudiosos alegam que acontecimentos recentes e atuais decorrem de alterações climáticas ocorridas no planeta, em função da atuação do homem, o que tem lá o seu fundo de verdade; catástrofes, porém, não se constituem primazia da vida moderna, já ocorrem há séculos, com a diferença de que hoje há a possibilidade de se antecipar aos seus efeitos (o que aconteceu na Austrália é exemplo do que estamos falando).

No caso do nosso País, em que, além de catástrofes naturais, se convive, diariamente, com catástrofes sociais, ainda somos levados a conviver com a "tragédia política" que aqui encontrou campo fértil para disseminação.


Último avanço da “tragédia” encontra-se na reportagem de Gerson Camarotti e Isabel Braga, de três dias atrás no O Globo, onde se noticiou que o partido dos ministérios e o dos tramoienses se acertaram na divisão de cargos no segundo escalação, mediante “regras” previamente ajustadas.

Diz a reportagem que em reunião no gabinete do atual vice da república, mais Palocci, Luiz Sérgio e Henrique Alves (líder do partido dos “ministérios”), foram “acertadas regras e procedimentos para o preenchimento dos cargos de segundo escalão: as mudanças deverão ser negociadas entre os dois partidos. Isso significa, na prática, que substituição de postos estratégicos ocupados pelo PMDB terá que ser compensada por outro cargo equivalente em outro ministério ou estatal. A regra valeria para cargos do PT” (segundo, também, já se noticiou, o comando da FUNASA foi um dos interesses que culminaram na briga pela partilha do butim).

Ainda na matéria, consta ter o líder dos “ministérios” – Henrique Alves - assinalado que “há uma acordo e vamos cumprir; é natural (que haja insatisfações e problemas na ocupação dos cargos), mas nada que seja irreversível”. E O PTB, por seu líder – Jovair Arantes - também entrou na briga por cargos no escalão inferior, ao argumento de que “não podíamos cobrar ministérios porque oficialmente o partido apoiou Serra; mas no Congresso o PTB sempre contribuiu com o governo Lula”.

Preparar-se contra a devastação dos fenômenos da natureza, com a tecnologia de que se dispõe atualmente, pode parecer até mais fácil do que por fim a tragédia política que assola o País; aqui, caminhos fáceis e acessíveis também se apresentam, contudo, para que estes sejam corridos, seria necessária a prévia conscientização da população de que política não se presta a satisfação de interesse individual, mas coletivo, e de que o País e a sua máquina (ministérios e cargos públicos) não pertencem aos Partidos Políticos, algo que, no nosso ceticismo, é muito difícil de se alcançar, mormente quando diante da tristeza que nos incomoda a alma, a turma de Pindorama, em reunião do dia de ontem, se comporta como se estivesse numa mera reunião social; observem os sorrisos, que mais lembram reunião com o Capo di tutti i capi.



Externamos, mais uma vez, nossos sentimentos àqueles que perderam seus entes na tragédia serrana e solicitamos a quem nos lê que atendam aos pedidos de envio de roupas, água, remédios, higiene e comida, para um retorno, pequeno que seja, de diginidade.

JabaNews

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