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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Brumas do Passado

A turma lá do Egito mandou ver, retirou de cena um cara, já oitentão, que gostaria de morrer no governo, como grande trabalhador, movimento tratado efusivamente pela mídia como o rumo à democracia.

Egito, País dos grandes Faraós, das grandes obras e de extraordinária demonstração de civilidade e de respeito ao próximo, de “remotíssimos idos”.  Falamos aqui dos grandes Faraós tebanos, que tinham como concepção de Poder o serviço de Justiça, o que encontramos no Império Médio, período de esplendor egípcio, no período das XI-XIII dinastias, 2065-1660, ac.

Brindados e agraciados com escavações arqueológicas, vamos encontrar, lá pela XII dinastia, exemplo do sentimento de Poder dos tebanos, nas famosas “Instruções do Faraó ao Vizir”, então gravadas no túmulo do Vizir Rekmara e de sua família, prova inconteste de “retidão insubornável, temperada pelo tato, no desempenho do cargo”, nas palavras de Truyol (parece até com o que ocorre, diuturnamente, em nossa terrinha).

Eis as instruções:
                   
Quando vier um requerente do Alto ou do Baixo Egito (...) vê bem que tudo se faça conforme a lei (...) Atende aquele que não conheces como aquele que conheces, o que vem pessoalmente junto de ti, como o que está longe da tua casa (...) Não despeças ninguém sem ter ouvido a sua palavra. Quando um requerente estiver diante de ti, queixando-se, não rejeites com uma palavra o que te disser, mas, se tiveres de negar-lhe o que pede, faz com que veja porque razão o negas.”

Lições de aproximados 2.000 anos antes de Cristo, que ainda devem perdurar na pureza de alma de algumas almas puras que ainda vagam pelo mundo, independentemente da ideologia que “as governa”.

Deixemos o passado.

Segundo registros mais recentes Muhammad Hosni Said Mubarak assumiu o poder em outubro de 1981, quando do assassinato de Anwar el-Sadat, que governou o Egito de 1970 até ser assassinado, ocupando, então, Mubarak , a vice-presidência do País, poder no qual permaneceu por  quase 30 anos, renunciando, recentemente, por fatos já conhecidos, influenciados pela queda do governo autoritário da Tunísia: Zine El Abidine Bem Ali.

Para não fugir a regra de regimes duradouros, nos veios da corrupção, os Mubarak amealharam bilionária fortuna, que se encontra espalhada por alguns cantos do planeta.  Nada que não lembre os anos de governo de Fulgencio Batista y Zaldívar em Cuba, corrupto de boas negociatas, que mandava matar os seus inimigos, ao qual se seguiram os Castros, que se eternizaram no poder, a partir do ano novo de 1959 (batalha de Santa Clara, se não estamos enganados), com os mesmos métodos utilizados pelo antecessor, Castros que tanto encantam à turba que domina o nosso País.

Voltando ao oriente médio.

O que chama à atenção nos acontecimentos no oriente médio é a radiante alegria do amiguinho de infância do que já se foi e da turba dos tramoienses da continuidade – nem vamos falar nos demais países chamados pela mídia tupiniquim de “regimes controversos e problemáticos” (tivemos exemplo recente dado à continuidade pelo apagão nacional, e a mídia tupiniquim só enaltece, parece, até, desconhecer a “história”) - que alardeou, sob os gritos de “morte a Mubarak”, “morte aos EUA”, “morte a Israel”, que as revoltas na Tunísia e no Egito são um despertar islâmico semelhante à revolução de 1979 no Irã.

Não precisa lembrar que a turba dos tramoios morre de amores pelo cara do Irã.

A situação é grave, vindo de alguém que já detém certa tecnologia destrutiva, mesmo que discurse no campo dos arroubos sem sentido.

Mal ou bem, o que renunciou, manteve certa estabilidade na região em conflito, mesmo que atuando em sintonia com interesses americanos e sionistas (regimes totalitários não coincidem com nossos ensinamentos e formação); visto sob o ângulo eminentemente do equilíbrio das peças no tabuleiro, a renúncia pode desaguar, provavelmente, na desestabilização; em jogo o comportamento de uma turma conhecida por “irmandade mulçumana”, fundamentalistas, que todos conhecem o significado, mesmo aqueles de poucos conhecimentos.

Mas, na verdade, por enquanto somos observadores, e só nos resta observar.

De concreto, nestas mal traçadas linhas, a lembrança de um passado glorioso dos egípcios, há mais de 2.000 anos antes de Cristo, no qual o “igual” era tratado com dignidade e respeito – Brumas do Passado -, algo carcomido com a evolução dos povos, centrado no dogma de que o homem é o centro das atenções e, para mantê-lo, há de subjugar os seus pares.

Nessa balada, o que nos resta, é observar, quiçá movimentar a massa em prol do retorno da decência no Brasil periférico, sem sonhos demagógicos e sem atributos inqualificáveis.

JabaNews

3 comentários:

  1. Jaba...

    Enquanto a Globo, Record espalham pelo Brasil que o movimento no Egito é democrático nós vamos amargando um começo de ditadura que pode durar os mesmos 30 anos do governo Mubarak, ou mais. Os mesmos jornalistas, as mesmas emissoras, que execraram o governo hondurenho, apoiando a atitude do governo brasileiro em dar guarida em nossa embaixada a um projeto de ditador tipicamente latrino e colonial, por desconhecimento ou por conveniência saudam a nova revolução, enaltecendo pessoas que, tanto quanto os brasileiros, alijados da verdadeira informação acabam aceitando que aquele é um movimento para a democracia, esquecendo de avivar a possibilidade que há do partido proscrito, como a irmandade muçulmana, estar por trás do levante popular. Massa de manobra existe em todos os países, em todos os idiomas e os egipcios podem ter optado trocar um governo ditatorial por um governo ditatorial teocrata. O mesmo jornal nacional que exalta a nova pseudo-democracia egipcia, anuncia que deputados iranianos pediram a pena de morte aos líderes de uma revolta popular contra o governo ditatorial dos aiatolás e cuja liderança, pertence um débil mental que pelo histórico de asneiras que fala, e pelo pensamento imbecil só poderia ser amigo, bem aceito e enaltecido nos circulos petistas bolivariânus.
    É fácil para a Globo entrar na ditadura egipcia e divulgar as imagens censuradas pelo ditador Mubarak, é fácil para a Globo informar que pessoas foram agredidas, que repórteres foram presos (estou sendo irônico) quero ver a rede Globo e a Record, irem ao Irã e divulgarem com toda a pompa que lhes é pertinente, como senhores da verdade jornalística, que no Irã estão acontecendo levantes populares. Quero ver as redes Globo e record, defensoras da democracia mundial, levantarem a voz contra o presiditador Ahmadinejad...mas tem que gritar lá de dentro da democracia Persa.
    Falar em democracia com relativa liberdade é fácil...ou melhor...democracia no dos outros é refresco!

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  2. olá sicário,
    como sempre, os seus comentários, além de pertinentes, são sempre bem vindos.
    Globo e Record, mais zero à esquerda, são a mesma coisa; a juventude atual não conhece a "história", daí a histeria pela democracia, para, ao depois, falar-se em violência a repórteres; imprensa sofrível, já percebestes.
    o que nos interessa é levar a diante a ideía de que a turma não é imbecil, mormente diante da posição da OAB-RJ de cassar a inscrição de um advogado, já na casa dos 70, por conta de acontecimentos passados no regime militar.
    o nosso intento na matéria foi demonstrar o mundo "civizilado" que poucos conhecem ou que muitos deconhecem.
    somos gratos pela sua intervenção, mas precisamos que mais se interessem pelos acontecimentos para por freio naquilo que chamamos de "sinal dos tempos".
    abs.,
    jabanews

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  3. olá sicário,
    seus comentários estão na página central do blog.
    abs.,
    jabanews

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