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terça-feira, 26 de junho de 2012

Hipocrisia no Supremo

Final do ano passado, depois de manifestação de decente parcela da sociedade, o relatório do mensalão é liberado, pelo relator, para os demais pares das togas superiores.

Ao segundo mês do ano, publica-se entrevista com o revisor, na qual, além de se registrar que somente cuidaria do processo a partir de abril, por conta dos seus afazeres no eleitoral, solta a infeliz pérola da eventual prescrição de alguns crimes.

Desconsiderando-se, aqui, voto já preparado, ou troca de opinião com o relator, o que já tratei em matéria passada, seguiu-se a aparente satisfação para a platéia, com afirmações do presidente da corte de que lá não se julga por pressão, que o julgamento será conduzido sem ânimo prévio da absolvição ou condenação - fantástico! - ,  e que o mesmo deveria ser julgado somente no segundo semestre (do que também já falei anteriormente), interferência do energúmeno tentando o adiamento do julgamento para depois das eleições de outubro, junto a alguns ministros da corte, nova manifestação de parcela de decentes, pelo rápido julgamento do processo, reunião administrativa da corte para definir as fases do julgamento e, por último, a troca de ofícios entre o presidente "supremo" e o revisor do processo, este último dizendo, em outras palavras, que não aceita pressão para se pronunciar e que não o faz prematura ou tardiamente, para se "evitar julgamento de exceção" - fantástico, novamente!

Enquanto isso o Supremo mais se desmoraliza, beneficiados, apenas, os 38 réus que não serão condenados pelo crime de formação de quadrilha; o processo, sem ser cético, não será julgado até o dia 22 agosto, por inviabilidade, mesmo, do tempo, que se faz curto na sua utilidade.

Fatalmente entrará na fase eleitoral, três ministros da corte também oficiam no eleitoral, daí que ....

A hipocrisia chega ao ponto de se falar em julgamento histórico; não há como se considerar histórico julgamento penal de uma reles quadrilha que cometeu crimes que não trazem especialidade alguma para que assim sejam considerados, são crimes que se praticam no tempo que já se perdeu no tempo.

Histórico será o Supremo condená-los e mandá-los para atrás das grades por um bom período, por tempo que espero suficiente para apodrecê-los, recuperando todo montante, incluindo bens, adquiridos com seus crimes. Isso sim, além de fantástico, é que seria (espero que seja) histórico, e não o fato de estar em julgamento um bando de safados, no exercício ou não de "cargos políticos".

A confissão do crime veio agora da boca do cara que está governando lá pelo sul. Disse o sujeito, em entrevista a um site de esquerda, chamado carta maior (matéria do Estadão.com):


MENSALÃO:'AQUI O VICE RECHAÇOU OS GOLPISTAS'
"Lá, eles tiveram sucesso porque o Presidente Lugo não tinha uma agremiação partidária sólida e estava isolado (...)A conspiração contra Lugo estava no Palácio, através do Vice (...)
Aqui, eles não tiveram sucesso porque - a despeito das recomendações dos que sempre quiseram ver Lula isolado, para derrubá-lo ou destruí-lo politicamente - o nosso ex-Presidente soube fazer acordos  com  lideranças  dos partidos fora do eixo da esquerda... 
Seu isolamento, combinado com o uso político do"mensalão", certamente terminaria em seu impedimento. Acresce-se que aqui no Brasil - sei isso por ciência própria pois me foi contado  pelo próprio José Alencar- o nosso Vice presidente falecido foi procurado pelos golpistas "por dentro da lei" e lhes rejeitou duramente' 
(Governador Tarso Genro;leia artigo oportuno no momento em que Lula é questionado por alianças e se exige um julgamento à moda paraguaia do mensalão; nesta pág)
(Carta Maior; 3ª feira/26/06/2012)


Se essa não for a maior confissão que já se fez da criminalidade explícita da inominável corja, talvez imbecilmente, por achar que crimes podem ser alardeados sem quaisquer conseqüências, sinais exteriores de esperteza, não sei mais qual o real significado de uma confissão, livre dos vícios legais, tão a gosto de serem invocados pela turma das togas.

A confissão serve, porém, para que não escreva mais sobre a demagogia retrógada do governo de prófugos e dos seus "colegas" que seguem a mesma cartilha em outros países vizinhos, no que toca aos recentes acontecimentos no Paraguai. Por ela, e nas palavras do "confessor", o impedimento do Collor foi um golpe de estado, com ampla participação do partido dos trapaceiros.

De qualquer forma, gravarei todo o julgamento, esperando não fazer um epitáfio com os seguintes dizeres: aqui jaz um supremo ...  

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