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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mensalão - Lavagem de dinheiro; Marcos Valério e Banco Rural III ...


Concluindo a postagem anterior:

O sr. revisor, com pretensões frustradas de relator, acabou por concluir o seu voto, acompanhando o do relator, pode-se dizer, em 70% do voto por este proferido, não se demonstrando, pois, nenhuma razão, como já venho dizendo, para se ocupar toda uma sessão com pretensões de ser considerado uma nova "prima donna", como mais uma vez ocorreu na sessão do dia 12 passado; bastaria dizer que concorda com o relator quanto a determinados pontos e que discorda quanto a outros, seguindo a exposição do pensamento. Mas isto é pedir muito.

Recordando:

a) o relator - Joaquim Barbosa - de 10 acusados, absolvera um - Ayanna Tenório - condenado os demais:
 - Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos, Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Geiza Dias;

b) o revisor - Lewandoswki - dos 10 acusados, absolvera quatro -  Ayanna Tenório, Vinícius Samarane, Geiza Dias e Rogério Tolentino - condenando os demais - Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Simone Vasconcelos, Kátia Rabello e José Roberto Salgado.

Bastava, pois, limitar-se a acompanhar o relator naquilo que acompanhasse e a discordar naquilo que discordasse.

Na seqüência, na sessão do dia 13, a turma das togas concluiu o julgamento, com as seguintes condenações e absolvições:

Condenações:

a) por unanimidade
- Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Simone Vasconcelos, Kátia Rabello e José Roberto Salgado;

b) por maioria
- Vinícius Samarane e Rogério Tolentino.

Absolvições:
- Ayanna Tenório, por unanimidade, e Geiza Dias, por maioria.

Não havendo, de futuro, nenhuma graça, a "cana" será considerável.

Nesta sessão se falou em algo interessante, que rendeu linhas em outros meios de comunicação, acerca de sua origem, ou seja, falou-se na teoria do domínio dos fatos (algo que não carrega viés de novidade em nosso direito), o que equivale a dizer, em outras palavras, que igualmente comete crime aquele que dele tem conhecimento e se beneficia, como o energúmeno dos 9 dedos ou, nos termos do Código Penal - “Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade”. Eis de novo a presença do energúmeno ... O PGR diz hoje que dele vai se ocupar quando terminar o processo do mensalão, em função de reportagem com o Marcos Valério (SMP&B e DNA) em recente edição da revista Veja, o que soa como fazer a nosotros de idiotas, pois o domínio dos fatos já alcança quase uma década ...

De qualquer forma o processo já caminhou com o voto do relator, na sessão de ontem, condenando os primeiros do chamado núcleo político", pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha (turma do PP e da corretora Bônus Banval), afirmando ter o governo dos nove dedos comprado votos na Câmara dos Deputados, grana em torno de R$ 55 milhões, como segue:

PP - Partido Progressista:
- Pedro Corrêa, Pedro Henry e João Cláudio Genu: crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha;

Bônus Banval:
- Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg, donos da corretora: crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Amanhã o relator continuará a leitura do voto, formalizando as condenações e trazendo "à luz" a turma do PL (hoje PR), mais as do PTB e do PMDB e, ao depois, as participações de Zé Dirceu, Genoíno e Delúbio, como, também, já lugar comum, prováveis embates entre ele e o revisor, promovendo-se novo atraso na sessão, tal como ocorrido na do dia 13 passado, na qual os primeiros 90 minutos foram por eles consumidos.

Bom, no fim, o que interessa, na humilde acepção - e aqui já não falo mais de mensalão, de supremo, ou o que seja, ou de quaisquer crimes e outros atos que ainda dormitam nas prateleiras judicantes ou em qualquer outro lugar, e diante de teorias e princípios que existem a rodo, a gosto de todos, invocadas a cada momento em que se entende próprio o momento, mesmo até impróprio, o que se vê em ocasiões várias - é a oportunidade de "tipificar" um nova teoria, não limitada por fronteiras, ideologias etc., qual seja, a teoria da vergonha, a teoria do domínio da vergonha, a teoria da força da vergonha, ou qualquer outra denominação que se queira dar - dela já falei nas primeiras matérias do blog - até o mais decrépito dos decrépitos, em algum momento, também se envergonha da vergonha dos atos que a carregam - e, quem sabe, os reais princípios e teorias não retornam ao convívio que, de tão ausentes, já se fizeram esquecidos e desconhecidos ... Para fugir da utopia, isso está me lembrando do pintor chegado ao surrealismo ...

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