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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Inço da toga ...



Na sessão de ontem no Supremo, após o Ministro Joaquim Barbosa ter concluído o seu voto condenando o trio do PT - Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio Soares - e mais Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Rollerbach, Simone Vasconcelos e Rogério Tolentino, pelo crime de corrupção ativa, e de ter absolvido a Anderson Adauto - ex-ministro dos transportes - e Geiza Dias, pelas razões que apontou em seu pronunciamento, teve lugar a exposição revisional.

Ao seu início, ficou a falsa impressão de que o revisor teria finalmente aprendido o que significa esta figura julgadora, já que, de forma rápida, antecipara a conclusão parcial de seu voto condenando, por corrupção ativa, tal como o relator, a Delúbio Soares, Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Simone Vasconcelos, e absolvendo a Geiza Dias e Anderson Adauto, aqui divergindo no que respeita à condenação de Rogério Tolentino, que também absolveu.

A falsa impressão, porém, se confirmou falsa, quando dedicou praticamente todo o tempo de sua participação no julgamento à defesa togada do acusado Genoíno, desvirtuando o próprio foco da acusação, deitando desnecessários elogios ao próprio réu, a um advogado que já foi Ministro da Justiça e outros personagens que citou, proferindo leituras e referências a documentos que aparentam não possuir os contornos que lhe foram atribuídos, com os quais, e outros pensamentos, pretendeu desqualificar a peça acusatória etc., ensejando, com isso, que os Ministros Ayres Britto e Marco Aurélio proferissem intervenções irônicas, como a do último, quando lembrou ao revisor que o réu estava sendo acusado do crime de corrupção ativa e não de corrupção passiva, além dos embates próprios com o relator.

O que se espera de um julgamento nem sempre resulta naquilo que realmente se espera; mas o que todos esperam é que ao momento em que externado o então silêncio da consciência que o seja, estritamente, com relação ao que se discute, nos estreitos/largos limites da racionalidade judicante, sem luzes de incorubirúbil, sengraçante imprizido, que dão claros à sugerida parcialidade.

O homem, por conta mesmo da sua natureza, sempre julga a outro homem em termos de comportamento; no caso do comportamento revisional, a muitos então permitido, pelo próprio comportamento, é o de um comportamento sugestivamente faccioso, envolto de inço, que se mostra, assim, triste e lamentável. 

Ex-tesoureiro de um partido, "com carta branca" para cometer crime de corrupção ativa e, por isso mesmo, condenado, e "aval moral" de ex-presidente desse mesmo partido que "franqueia" o crime, sem saber que era crime, é algo que transforma a mediocridade em "algo admirável", escapando até ao controle do próprio ego, se visto o desfigurado comportamento nas tintas do surrealismo.

Bom, logo mais, linhas sobre o Zé Dirceu serão conhecidas.

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